Ancona, 03 de janeiro de 2011
Semana passada nós ficamos sem internet, o dono da casa que estamos falou que ia estender o wi-fi dele pra nós, peró nada disso aconteceu. Ficamos sem internet e pessoal da AIESEC ficou procurando um jeito de prover isso para nós, mas não deu.
No ano novo, cada um aqui foi pra um canto. Estava programado de todos irmos para a Toscana – Florença, Siena e Pisa, mas na terça-feira passada vimos que a reserva foi feita pro dia errado, os egípcios queriam ir pra Roma e o Arthur resolveu encontrar a namorada dele que está em Istambul, pela AIESEC também. Florença foi por água a baixo. Depois até achei bom, porque vamos no próximo final de semana, não via ficar caro, a cidade não vai estar uma bagunça e tudo vai estar aberto já que não vai ser feriado.
Como tudo mudou, pensei: “o quê que eu vou fazer?” Ancona no Reveillon deve ser um pouco chatinho, principalmente que eu ia ficar só. Mas graças a Deus surgiu a oportunidade de ir pra Bolonha. A Paula tem duas amigas que estão morando lá, uma estuda Medicina e a outra Ciência Política na Universidade de Bolonha. Elas chamaram a Paula, aí eu pensei: “também vou, né?”. O Ahmed, Karim e Alaa só reservaram hotel em Roma na noite do dia 30, como eu já tinha ido pra lá no Natal e ia voltar no fim do intercâmbio, não tinha queria ir de novo, queria conhecer algo novo. O problema é que a Paula tinha lugar pra ficar em Bolonha, eu não. Nós íamos passar a virada na igreja que as amigas da Paula freqüentam e depois eu tinha que me virar. Hotel em Bolonha estava um pouco caro, só encontrava lugares de 80 euros pra cima, porém meu lado aventureiro falou mais alto. O Ricardo que é Diretor de Comunicação do escritório daqui também queria ir pra lá e ia fazer o mesmo, passar o ano novo e pegar o primeiro trem cedo, então, lá fui eu.
Fomos Bolonha na manhã do dia 31 e por um minuto não perdemos o trem. Eram 6h da manhã e não passava nenhum ônibus, tivemos que quase correr um quilômetro e meio pra chegar a tempo.
Chegando a Bolonha, as amigas da Paula, Larissa e Daniela, nos levaram até o apartamento delas. Deixamos as coisas e fomos passear. Bolonha é uma cidade muito legal, ela foi fundada na Antiguidade e se fortaleceu na Idade Média. O centro histórico atual era cercado por muralhas e ainda permanecem alguns portões da época. As famílias ricas da região esbanjavam seu poder construindo torres, quem construísse a mais alta era tida como mais poderosa. Durante a Idade Média, por volta do século XII, existiam quase 200 torres, muitas com cerca de 100 metros de altura. Para engenharia da época isso era um desafio tremendo, era como construir hoje aquele prédio mais alto do mundo em Dubai. Atualmente, só existem duas torres, uma delas teve sua construção interrompida porque começou a tombar (a torre de Pisa não é a única), a outra tem 97 metros e foi construída no século XII. Eu subi nela e haja perna pra subir os 497 degraus, mas haja fôlego para apreciar a vista incrível da cidade.
Durante a 2ª guerra Bolonha foi bombardeada, mas muita coisa ainda permanece no centro histórico, como igrejas, palácios e até casas. É engraçado ver que algumas dessas casas tiveram andares construídos em diferentes anos, não de hoje que se aluga a laje pra fazer quartinho. Andando pelas ruazinhas da cidade parece que você está em pleno século XII. Outra coisa legal de Bolonha é que a cidade tem a universidade mais antiga da Europa, foi fundada em 1088 e até hoje é muito renomada, até entrei numa das salas de anatomia mais antigas da Europa. Bolonha é simplesmente muito bacana e para aqueles que não são tão ligados a história, é possível aproveitar outras coisas, como shows, bares, clubs, bibliotecas. Por ser uma cidade universitária não falta programação pra jovens, e adultos também.
O Ricardo só chegou a Bolonha no fim da tarde, encontrei com ele no centro e comemos pizza de “ceia”. Cada lugar que eu vou, como uma pizza melhor que a outra. O Ricardo ficou no centro, para os shows que iam acontecer na Piazza Maggiore (depois de Roma, Bolonha tem o melhor ano novo da Itália), e eu voltei pra casa das amigas da Paula e fui para igreja, assistir o culto de Ano Novo. Fiquei feliz de entender o que o pastor falava em italiano, e quando deu meia noite pude comer o melhor da culinária caseira italiana, rsrs.
Saí da igreja e reencontrei o Ricardo no centro. Agora era a hora de ficar acordado e esperar o trem de manhã, uhu! Só sei que nós tínhamos que dar um jeito de ir pra algum lugar quente (pelo menos mais quente que 0°) e afastado da bagunça. Nunca vi tanta gente bêbada e tanta garrafa quebrada na rua, pra piorar tinham algumas antas nórdicas que ficavam estourando fogos de artifício pequenos no meio da rua e das pessoas. Fugindo da muvuca, fomos para um café, e depois de conversar um pouco, fomos para a estação de trem andando, não era longe. Eram 2h30 da manhã e o trem do Ricardo para Ancona era só às 4h40 da manhã e supostamente era o meu também. Supostamente porque a caminho de Bolonha, no trem, resolvi ir pra outra cidade chamada Ferrara no dia 1°, mesmo sem dormir e ainda sozinho. Chagando na estação fomos procurar um lugar quente pra ficar. Entramos na sala de espera dormir, mas para nossa alegria boa parte dos turistas resolveu fazer o mesmo e resolveu também não tomar banho naquele dia, a sala cheirava a flores (aquelas mais fedidas do mundo que ficam numa ilha na Indonésia). Tentamos ir pra outro lugar, mas o hall da estação estava lotado, não tinha uma parede pra encostar e do lado de fora o sorvete ficava melhor do que no freezer. O jeito era ir pra sala perfumada e esperar. Era incrível que eu não estava com sono. O Ricardo tentou dormir sentado e enquanto eu lia meu “Guia do Turista Brasileiro na Itália”. Passando as páginas eu vi coisas sobre Verona. Quando eu tinha assistido “Cartas pra Julieta” fiquei doido pra conhecer a cidade-cenária que Shakespeare escolheu pra escrever sua peça mais famosa. Era a oportunidade que eu tinha de conhecer aquela cidade, era relativamente perto, e pra quê eu ia voltar pra Ancona e ficar sozinho? Resolvi ir pra Verona, uma das cidades mais românticas da Itália, virado da noite e sozinho (entenda dos dois jeitos, em relação à companhia e ao estado civil).
Depois mais de uma hora, o Ricardo pegou o trem e eu fui esperar até 7h10 no outro hall da estação, que tinha lugar pra encostar e nem estava cheio. Fiquei com medo de dormir, mas na coragem deixei a mochila atrás de mim e encostei-me à parede (o Word me sugeriu tal colocação verbal, gostei), pelo menos tinha mais gente junto na soneca. Só dormi uma até umas 5h40, depois hora fiquei refletindo sobre o ano que tinha acabado de passar e agradecendo a Deus por todas as coisas.
O trem para Verona nem era caro, paguei 7,20 euros e fui. Uma hora e vinte minutos depois eu estava em Verona. Saí do trem e fazia mais frio que em Bolonha, eram 9 horas da manhã, mas não tinha nem um posto de informação aberto na estação. Fui pra fora esperar o ônibus, mas depois de 10 minutos descubro que no dia 1° não tinha ônibus na cidade (falam que brasileiro não gosta de trabalhar, mas no Natal não tinha nem metro e nem ônibus em Roma e no dia 1° de janeiro não tinha nenhum ônibus numa das cidades mais procuradas na Itália). Por um minuto pensei, “o quê eu vim fazer aqui?”. Sorte que o centro histórico ficava a 1,5Km da estação, a parte nova de Verona é bem agradável.
Cheguei ao centro histórico, era muito legal. Ele é cercado por muralhas medievais que ainda estão de pé e é cortado pelo rio Adige. Em Verona existe uma arena, do tipo Coliseu, construída pelos romanos, e até hoje comporta eventos, mesmo tendo sido danificada por um terremoto há 850 anos. Além da Arena, existe um castelo medieval, às margens do Rio Adige, incrível. Andar pelas margens do rio é também um passeio muito legal, mesmo estando frio, o dia estava lindo, não tinha uma nuvem no céu. Passei o dia tirando fotos, andando pelas ruazinhas, pelas igrejas, praças. Só foi uma pena que a casa da Julieta estava fechada (eu sei que aquela não era de verdade a casa da Julieta porque ela de fato nunca existiu, mas é um ponto turístico legal de visitar, e falam que encostar no peito esquerdo da estátua dela dá sorte no amor, rsrs). A Torre dei Lamberti também estava fechada, por causa do feriado. Até pensei de ficar em Verona naquela noite, mesmo que sozinho, para aproveitar mais dessas coisas no outro dia, porém não encontrei nenhum albergue e os quartos de hotel eram bem caros.
Eu também fui a um outro castelo do outro lado do rio. O castelo não era medieval, era do século XIX, mas foi construído num monte e a vista para a cidade era linda, palavras não descrevem o que eu vi (e vocês devem ter pensado: “que bom que não descrevem, pois este post já está gigante”, rsrsrs)
Viajar sozinho é ruim e bom ao mesmo tempo. É ruim porque você não tem ninguém pra conversar, pra tirar uma foto e pra comer junto, mas é bom que você pode ir onde quiser e você faz tudo de acordo seu ritmo, que no meu caso é conhecer o mundo em um dia como a Thaís já disse. Se eu tivesse ido pra Verona com alguém que também tivesse passado a noite acordado, provavelmente não teria passeado tanto e conhecido tantos lugares num dia só, o primeiro banco de praça ia ser pit stop pra voltar pra estação. Foi um pena não dar pra ficar mais um dia.
Passear por Verona foi verdadeiramente incrível, me surpreendi com a cidade e fiquei apaixonado com tudo. Cada passeio é diferente, mas acho que posso dizer que foi o melhor até agora. É, só me falta uma Julieta agora, mas que não tenham o fim da original, rsrsrs.
Fui embora ao fim da tarde, mas antes de ir tomei um gelato de frente a Arena (o meu “Guia do Turista Brasileiro” disse que eu não podia ir sem tomar um gelato na cidade). Cheguei a Ancona por volta de 21h30. Mesmo tendo tido um dia tão legal, bateu uma tristeza de não ter ninguém em casa pra contar tudo (Paula ainda estava em Bolonha, voltava no domingo à noite; Thaís e os egípcios em Roma, de volta na terça; e Arthur em Istambul, de volta só no meio da semana), mas graças a Deus, minha mãe me ligou e conversei com ela um pouco. Depois de conversar com ela, fui dormir. Depois de uma noite acordado e dois dias batendo perna, o colchão era o paraíso pra mim.
Desculpem pelo tamanho do post, mas nem contei um terço de tudo que fiz. No domingo, dia 2, ainda fui para Urbino, uma cidade medieval quase intacta no topo das montanhas, há uma hora daqui. Simplesmente incrível, também tem fotos. Vocês devem estar pensando que esse intercâmbio é mais viagem que trabalho, né? Hehe, mas nos fins de semana tem que aproveitar pra conhecer o máximo, principalmente se todo mundo está fora, e durante a semana mostrar serviço.
Bacio








Mateus!!!!!!!
ResponderExcluirestou acompanhando todas as suas aventuras!!
espero que vc aproveite tudo que tem direito ;)
muitas saudades!!
bjo
mabs!
ResponderExcluirtambem tou acompanhando as aventuras! finalmente!! tou adorando os relatos das viagens às cidades =P
uma sugestao.. vc podia colocar o que são as fotos, pelo menos as cidades de cada uma. só de curiosidade!
aproveita muuuito mesmo!
e come macarrao tb! e sorvete! =D
EI MAteus! Li tudo e amei. Estava gde mas interessante e fiquei curiosa para saber o final da aventura. Estive na Italia em junho de 2010 e viajei muito por ai. Aproveita todo o seu tempo e energia. Vc vai ter muita coisa para ver. Toscana é show. Ahh, e cuidado para nao se perder em Siena. Luiz Carlos e eu nos perdemos pq achamos as ruas todas iguais ( um labirinto).
ResponderExcluirAumente o tamanho das fotos e poe legenda. estou acompanhando suas aventuras. Deus te abençoe e bjos