Pois é, eu sei, o blog está jogado às moscas. Desde que fui a Toscana não escrevo nada. Depois daquela viagem o trabalho começou ter mais coisas, tinha que pesquisar muito, escrever, me enfiar totalmente no Microcrédito.
Vou dar uma recapitulada de tudo. Então, depois daquela viagem continuei trabalhando com o projeto de microcrédito. Aprendi muito, visitei uma empresa que é uma associação de pequenas empresas de moda, mas pude entender como o microcrédito pode ser aplicado num lugar onde não há miséria como na Itália. A apresentação final foi no dia 27 de janeiro. Fazer uma apresentação em inglês nem é sempre tão fácil, hehe.
Mas durante esse período fiz mais uma viagem, eu fui pra Veneza! Não podia deixar Veneza de lado nessas minhas viagens. É uma cidade linda, e o que mais me lembro foi ter saido da estação de trem e, ao invés de ver carros, eu vi barcos na "rua". Foi muito legal passear por lá, cada canal, cada casa, é completamente diferente de uma cidade convencional. Ficamos lá por dois dias, sábado e domingo. No sábado o dia estava lindo, mas no domingo chegou uma neblian que ficou sobre a cidade o dia inteiro. Mas tudo bem, só de ter visitado e conhecido um lugar tão legal já foi ótimo.
Depois que acabei o projeto, comecei a viajar no dia 29 de janeiro. Ia fazer minha Eurotrip, primeiro destino: Roma. Mas essa eu conto depois, eu prometo, é porque agora estou sem tempo, tenho que pegar um trem submarino, hehe.
Ciao
"Louvar-te-ei, SENHOR, de todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas" Sl 9:1
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Sob o sol (e chuva) da Toscana
Depois da aventura de dormir na estação no Ano Novo e viajar sozinho pra uma das cidades mais românticas da Itália, preferi que o final de semana seguinte fosse mais convencional, hehe.
Quando se faz um filme ou uma novela sobre a Itália, geralmente a região que é escolhida para cenário é a Toscana. Mostram-se os campos, casas antigas chamadas vilas, as cidades e tudo mais. Com todo esse marketing, quase todos que vem pra Itália desejam conhecer a Toscana de qualquer jeito, mesmo que seja só uma cidade.
Eu não fui muito diferente da maioria, antes de vir pra Itália a Toscana era um destino certo para mim de qualquer jeito. O planejamento pra essa viagem acabou sendo feito só por mim, não por preguiça dos outros, mas meio que pela ansiedade de conhecer. Estávamos sem internet em casa, por isso tivemos que ir pra uma Lan House para acessar e-mail e olhar essa viagem de fim de semana. Nem todo mundo foi pra Lan House, só os ragazzi foram e as ragazze ficaram em casa. Eu já tinha pensado num roteiro antes, e então comecei a olhar hospedagem e opção de trens. O Arthur não ia conosco, porque estaria com a namorada em Istambul; só precisei ligar para as meninas e falar com os egípcios. Pronto, a viagem pra tão desejada Toscana estava fechada (acho que ainda era tão desejada só pra mim). O roteiro foi esse: dois dias em Florença, um em Pisa e o último em Siena. Emendamos a folga na quinta e na sexta pra aproveitarmos quatro dias inteiros.
Saindo de casa na madrugada de quinta, descobrimos que era feriado na Itália e que o horário de ônibus era o de Giorno Festivo. Beleza, hora de andar até a estação de novo (compensou o macarrão da semana inteira). Chegando a Florença, podíamos pegar ônibus ou andar até o hotel, resolvemos andar pra já ver um pouco a cidade. A cidade é grande e muita bonita, tem prédios de várias épocas, monumentos renascentistas, praças, igrejas grandiosas, entre outras coisas. Esse entre outras eram as liquidações pós-natal. Da estação ferroviária até o hotel eu só ouvia: “olha esse sapato”, “look that!” e “60%, uhu!!!”, mesmo quando o incrível Duomo de Florença estava na nossa frente.
Logo chegamos ao albergue (não queria usar essa palavra, todo mundo acha que albergue é uma pocilga úmida na rua Guaicurus, mas aqui não é assim), era uma casa antiga numa rua do centro histórico. Por fora parecia estranho e a cara dos meus companheiros de viagem era do tipo: “onde é que você me trouxe?”. Mas só foi entrar no apartamento pra eles dizerem: “We love you, man”. Era praticamente um apartamento, tinha uma espécie de sala, dois quartos, banheiro limpo e até uma cozinha, e olha que nem pagamos caro (pra seis pessoas também, né?). Descansamos rapidinho e fomos andar; andar, andar e andar. Como eu já disse, Florença é muito bonita e tem muitas coisas pra se ver. Quase ao lado do nosso albergue fica o Palazzo Vecchio e a Piazza della Signora, onde ficava a estátua original Davi de Michelangelo, junta a várias outras de, pelo menos, uns quatro metros de altura. É muito legal pensar que nas praças ficavam obras que hoje se paga caro para ver num museu. No século XVI devia ser tão normal, você ia comprar uma maçã no mercado e passava ao lado de uma estátua sem roupa de um tal de Michelangelo.
O outro dia foi o dia-museu, o Ufizzi, o maior museu de arte da Itália. Fomos cedo porque o meu Guia do Turista Brasileiro disse que as filas eram enormes, e realmente são, mas como eram oito e meia da manhã, todo mundo ainda estava dormindo. O museu é muito grande e cheio de obras famosas do Renascimento, como as de Botticeli ou de Leonardo da Vinci, vale a pena ir. Além do museu, fomos no Parque Michelangelo, do outro lado do Rio Arno, na Piazza Michelangelo, muito bonita, e no fim da tarde, enquanto meus companheiros saciavam seus desejos consumo na Coin e na H&M, eu fui ver o Davi original na Galleria della Academia e passear por ruas que não tínhamos conhecido.
No outro dia, fomos para Pisa. Finalmente ia conhecer a torre torta que eu sempre quis ver. Porém, pra chegar lá, passamos por outro momento de tensão. A estação central de Pisa ficava um pouco longe da Piazza onde se concentra a Torre, o Duomo de Pisa (Duomo é uma catedral na Itália) e o Batistério. Mas eu vi no great Google que tinha uma estação secundária pertinho da Piazza. Ok, fomos para lá. Nós fomos os únicos a descer na tal estação, que parecia mais uma plataforma e tinha até uma placa dizendo: “risco de alagamento”, bello. A rua de fora era ainda vazia e estranha, mas só foi virar a esquina pra vermos um sinal de civilização: Mc Donald’s, e ao lado dele estava a entrada da Piazza da Torre e do Duomo. Foi legal ver a torre, só não subi por custava 15 euros. Uma foto me apoiando nela já estava bom, hehe.
Depois de Pisa, era a vez de Siena. Chegamos lá à noite e fomos para o Hotel (esse realmente era um hotel). Era no meio do centro histórico, perto de tudo. À noite fomos ver a Piazza del Campo e jantamos num restaurante, comi um dos melhores pratos que já experimentei. No outro dia fomos andar mais (é capaz de eu voltar mais magro pelo tanto que eu ando só nos fins de semana), conhecemos boa parte da cidade, muito linda. Recomendo Siena para qualquer um que for a Itália.
Sem situações fora do convencional, esse foi meu break na Toscana. Foram quatro dias excelentes nos quais pude conhecer lugares incríveis e pude passar de trem pelo meio das paisagens mais bonitas que só vemos em filmes; um campo, uma casa na colina e ciprestes pelas estradinhas. Só vendo para entender porque tanto se fala dessa tal Toscana, hehe.
Bem, hora de dormir, já é 1h da manhã e tenho que levantar cedo. Depois escrevo mais, ciao!
Quando se faz um filme ou uma novela sobre a Itália, geralmente a região que é escolhida para cenário é a Toscana. Mostram-se os campos, casas antigas chamadas vilas, as cidades e tudo mais. Com todo esse marketing, quase todos que vem pra Itália desejam conhecer a Toscana de qualquer jeito, mesmo que seja só uma cidade.
Eu não fui muito diferente da maioria, antes de vir pra Itália a Toscana era um destino certo para mim de qualquer jeito. O planejamento pra essa viagem acabou sendo feito só por mim, não por preguiça dos outros, mas meio que pela ansiedade de conhecer. Estávamos sem internet em casa, por isso tivemos que ir pra uma Lan House para acessar e-mail e olhar essa viagem de fim de semana. Nem todo mundo foi pra Lan House, só os ragazzi foram e as ragazze ficaram em casa. Eu já tinha pensado num roteiro antes, e então comecei a olhar hospedagem e opção de trens. O Arthur não ia conosco, porque estaria com a namorada em Istambul; só precisei ligar para as meninas e falar com os egípcios. Pronto, a viagem pra tão desejada Toscana estava fechada (acho que ainda era tão desejada só pra mim). O roteiro foi esse: dois dias em Florença, um em Pisa e o último em Siena. Emendamos a folga na quinta e na sexta pra aproveitarmos quatro dias inteiros.
Saindo de casa na madrugada de quinta, descobrimos que era feriado na Itália e que o horário de ônibus era o de Giorno Festivo. Beleza, hora de andar até a estação de novo (compensou o macarrão da semana inteira). Chegando a Florença, podíamos pegar ônibus ou andar até o hotel, resolvemos andar pra já ver um pouco a cidade. A cidade é grande e muita bonita, tem prédios de várias épocas, monumentos renascentistas, praças, igrejas grandiosas, entre outras coisas. Esse entre outras eram as liquidações pós-natal. Da estação ferroviária até o hotel eu só ouvia: “olha esse sapato”, “look that!” e “60%, uhu!!!”, mesmo quando o incrível Duomo de Florença estava na nossa frente.
Logo chegamos ao albergue (não queria usar essa palavra, todo mundo acha que albergue é uma pocilga úmida na rua Guaicurus, mas aqui não é assim), era uma casa antiga numa rua do centro histórico. Por fora parecia estranho e a cara dos meus companheiros de viagem era do tipo: “onde é que você me trouxe?”. Mas só foi entrar no apartamento pra eles dizerem: “We love you, man”. Era praticamente um apartamento, tinha uma espécie de sala, dois quartos, banheiro limpo e até uma cozinha, e olha que nem pagamos caro (pra seis pessoas também, né?). Descansamos rapidinho e fomos andar; andar, andar e andar. Como eu já disse, Florença é muito bonita e tem muitas coisas pra se ver. Quase ao lado do nosso albergue fica o Palazzo Vecchio e a Piazza della Signora, onde ficava a estátua original Davi de Michelangelo, junta a várias outras de, pelo menos, uns quatro metros de altura. É muito legal pensar que nas praças ficavam obras que hoje se paga caro para ver num museu. No século XVI devia ser tão normal, você ia comprar uma maçã no mercado e passava ao lado de uma estátua sem roupa de um tal de Michelangelo.
O outro dia foi o dia-museu, o Ufizzi, o maior museu de arte da Itália. Fomos cedo porque o meu Guia do Turista Brasileiro disse que as filas eram enormes, e realmente são, mas como eram oito e meia da manhã, todo mundo ainda estava dormindo. O museu é muito grande e cheio de obras famosas do Renascimento, como as de Botticeli ou de Leonardo da Vinci, vale a pena ir. Além do museu, fomos no Parque Michelangelo, do outro lado do Rio Arno, na Piazza Michelangelo, muito bonita, e no fim da tarde, enquanto meus companheiros saciavam seus desejos consumo na Coin e na H&M, eu fui ver o Davi original na Galleria della Academia e passear por ruas que não tínhamos conhecido.
No outro dia, fomos para Pisa. Finalmente ia conhecer a torre torta que eu sempre quis ver. Porém, pra chegar lá, passamos por outro momento de tensão. A estação central de Pisa ficava um pouco longe da Piazza onde se concentra a Torre, o Duomo de Pisa (Duomo é uma catedral na Itália) e o Batistério. Mas eu vi no great Google que tinha uma estação secundária pertinho da Piazza. Ok, fomos para lá. Nós fomos os únicos a descer na tal estação, que parecia mais uma plataforma e tinha até uma placa dizendo: “risco de alagamento”, bello. A rua de fora era ainda vazia e estranha, mas só foi virar a esquina pra vermos um sinal de civilização: Mc Donald’s, e ao lado dele estava a entrada da Piazza da Torre e do Duomo. Foi legal ver a torre, só não subi por custava 15 euros. Uma foto me apoiando nela já estava bom, hehe.
Depois de Pisa, era a vez de Siena. Chegamos lá à noite e fomos para o Hotel (esse realmente era um hotel). Era no meio do centro histórico, perto de tudo. À noite fomos ver a Piazza del Campo e jantamos num restaurante, comi um dos melhores pratos que já experimentei. No outro dia fomos andar mais (é capaz de eu voltar mais magro pelo tanto que eu ando só nos fins de semana), conhecemos boa parte da cidade, muito linda. Recomendo Siena para qualquer um que for a Itália.
Sem situações fora do convencional, esse foi meu break na Toscana. Foram quatro dias excelentes nos quais pude conhecer lugares incríveis e pude passar de trem pelo meio das paisagens mais bonitas que só vemos em filmes; um campo, uma casa na colina e ciprestes pelas estradinhas. Só vendo para entender porque tanto se fala dessa tal Toscana, hehe.
Bem, hora de dormir, já é 1h da manhã e tenho que levantar cedo. Depois escrevo mais, ciao!
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Aventuras de Ano Novo
Ancona, 03 de janeiro de 2011
Semana passada nós ficamos sem internet, o dono da casa que estamos falou que ia estender o wi-fi dele pra nós, peró nada disso aconteceu. Ficamos sem internet e pessoal da AIESEC ficou procurando um jeito de prover isso para nós, mas não deu.
No ano novo, cada um aqui foi pra um canto. Estava programado de todos irmos para a Toscana – Florença, Siena e Pisa, mas na terça-feira passada vimos que a reserva foi feita pro dia errado, os egípcios queriam ir pra Roma e o Arthur resolveu encontrar a namorada dele que está em Istambul, pela AIESEC também. Florença foi por água a baixo. Depois até achei bom, porque vamos no próximo final de semana, não via ficar caro, a cidade não vai estar uma bagunça e tudo vai estar aberto já que não vai ser feriado.
Como tudo mudou, pensei: “o quê que eu vou fazer?” Ancona no Reveillon deve ser um pouco chatinho, principalmente que eu ia ficar só. Mas graças a Deus surgiu a oportunidade de ir pra Bolonha. A Paula tem duas amigas que estão morando lá, uma estuda Medicina e a outra Ciência Política na Universidade de Bolonha. Elas chamaram a Paula, aí eu pensei: “também vou, né?”. O Ahmed, Karim e Alaa só reservaram hotel em Roma na noite do dia 30, como eu já tinha ido pra lá no Natal e ia voltar no fim do intercâmbio, não tinha queria ir de novo, queria conhecer algo novo. O problema é que a Paula tinha lugar pra ficar em Bolonha, eu não. Nós íamos passar a virada na igreja que as amigas da Paula freqüentam e depois eu tinha que me virar. Hotel em Bolonha estava um pouco caro, só encontrava lugares de 80 euros pra cima, porém meu lado aventureiro falou mais alto. O Ricardo que é Diretor de Comunicação do escritório daqui também queria ir pra lá e ia fazer o mesmo, passar o ano novo e pegar o primeiro trem cedo, então, lá fui eu.
Fomos Bolonha na manhã do dia 31 e por um minuto não perdemos o trem. Eram 6h da manhã e não passava nenhum ônibus, tivemos que quase correr um quilômetro e meio pra chegar a tempo.
Chegando a Bolonha, as amigas da Paula, Larissa e Daniela, nos levaram até o apartamento delas. Deixamos as coisas e fomos passear. Bolonha é uma cidade muito legal, ela foi fundada na Antiguidade e se fortaleceu na Idade Média. O centro histórico atual era cercado por muralhas e ainda permanecem alguns portões da época. As famílias ricas da região esbanjavam seu poder construindo torres, quem construísse a mais alta era tida como mais poderosa. Durante a Idade Média, por volta do século XII, existiam quase 200 torres, muitas com cerca de 100 metros de altura. Para engenharia da época isso era um desafio tremendo, era como construir hoje aquele prédio mais alto do mundo em Dubai. Atualmente, só existem duas torres, uma delas teve sua construção interrompida porque começou a tombar (a torre de Pisa não é a única), a outra tem 97 metros e foi construída no século XII. Eu subi nela e haja perna pra subir os 497 degraus, mas haja fôlego para apreciar a vista incrível da cidade.
Durante a 2ª guerra Bolonha foi bombardeada, mas muita coisa ainda permanece no centro histórico, como igrejas, palácios e até casas. É engraçado ver que algumas dessas casas tiveram andares construídos em diferentes anos, não de hoje que se aluga a laje pra fazer quartinho. Andando pelas ruazinhas da cidade parece que você está em pleno século XII. Outra coisa legal de Bolonha é que a cidade tem a universidade mais antiga da Europa, foi fundada em 1088 e até hoje é muito renomada, até entrei numa das salas de anatomia mais antigas da Europa. Bolonha é simplesmente muito bacana e para aqueles que não são tão ligados a história, é possível aproveitar outras coisas, como shows, bares, clubs, bibliotecas. Por ser uma cidade universitária não falta programação pra jovens, e adultos também.
O Ricardo só chegou a Bolonha no fim da tarde, encontrei com ele no centro e comemos pizza de “ceia”. Cada lugar que eu vou, como uma pizza melhor que a outra. O Ricardo ficou no centro, para os shows que iam acontecer na Piazza Maggiore (depois de Roma, Bolonha tem o melhor ano novo da Itália), e eu voltei pra casa das amigas da Paula e fui para igreja, assistir o culto de Ano Novo. Fiquei feliz de entender o que o pastor falava em italiano, e quando deu meia noite pude comer o melhor da culinária caseira italiana, rsrs.
Saí da igreja e reencontrei o Ricardo no centro. Agora era a hora de ficar acordado e esperar o trem de manhã, uhu! Só sei que nós tínhamos que dar um jeito de ir pra algum lugar quente (pelo menos mais quente que 0°) e afastado da bagunça. Nunca vi tanta gente bêbada e tanta garrafa quebrada na rua, pra piorar tinham algumas antas nórdicas que ficavam estourando fogos de artifício pequenos no meio da rua e das pessoas. Fugindo da muvuca, fomos para um café, e depois de conversar um pouco, fomos para a estação de trem andando, não era longe. Eram 2h30 da manhã e o trem do Ricardo para Ancona era só às 4h40 da manhã e supostamente era o meu também. Supostamente porque a caminho de Bolonha, no trem, resolvi ir pra outra cidade chamada Ferrara no dia 1°, mesmo sem dormir e ainda sozinho. Chagando na estação fomos procurar um lugar quente pra ficar. Entramos na sala de espera dormir, mas para nossa alegria boa parte dos turistas resolveu fazer o mesmo e resolveu também não tomar banho naquele dia, a sala cheirava a flores (aquelas mais fedidas do mundo que ficam numa ilha na Indonésia). Tentamos ir pra outro lugar, mas o hall da estação estava lotado, não tinha uma parede pra encostar e do lado de fora o sorvete ficava melhor do que no freezer. O jeito era ir pra sala perfumada e esperar. Era incrível que eu não estava com sono. O Ricardo tentou dormir sentado e enquanto eu lia meu “Guia do Turista Brasileiro na Itália”. Passando as páginas eu vi coisas sobre Verona. Quando eu tinha assistido “Cartas pra Julieta” fiquei doido pra conhecer a cidade-cenária que Shakespeare escolheu pra escrever sua peça mais famosa. Era a oportunidade que eu tinha de conhecer aquela cidade, era relativamente perto, e pra quê eu ia voltar pra Ancona e ficar sozinho? Resolvi ir pra Verona, uma das cidades mais românticas da Itália, virado da noite e sozinho (entenda dos dois jeitos, em relação à companhia e ao estado civil).
Depois mais de uma hora, o Ricardo pegou o trem e eu fui esperar até 7h10 no outro hall da estação, que tinha lugar pra encostar e nem estava cheio. Fiquei com medo de dormir, mas na coragem deixei a mochila atrás de mim e encostei-me à parede (o Word me sugeriu tal colocação verbal, gostei), pelo menos tinha mais gente junto na soneca. Só dormi uma até umas 5h40, depois hora fiquei refletindo sobre o ano que tinha acabado de passar e agradecendo a Deus por todas as coisas.
O trem para Verona nem era caro, paguei 7,20 euros e fui. Uma hora e vinte minutos depois eu estava em Verona. Saí do trem e fazia mais frio que em Bolonha, eram 9 horas da manhã, mas não tinha nem um posto de informação aberto na estação. Fui pra fora esperar o ônibus, mas depois de 10 minutos descubro que no dia 1° não tinha ônibus na cidade (falam que brasileiro não gosta de trabalhar, mas no Natal não tinha nem metro e nem ônibus em Roma e no dia 1° de janeiro não tinha nenhum ônibus numa das cidades mais procuradas na Itália). Por um minuto pensei, “o quê eu vim fazer aqui?”. Sorte que o centro histórico ficava a 1,5Km da estação, a parte nova de Verona é bem agradável.
Cheguei ao centro histórico, era muito legal. Ele é cercado por muralhas medievais que ainda estão de pé e é cortado pelo rio Adige. Em Verona existe uma arena, do tipo Coliseu, construída pelos romanos, e até hoje comporta eventos, mesmo tendo sido danificada por um terremoto há 850 anos. Além da Arena, existe um castelo medieval, às margens do Rio Adige, incrível. Andar pelas margens do rio é também um passeio muito legal, mesmo estando frio, o dia estava lindo, não tinha uma nuvem no céu. Passei o dia tirando fotos, andando pelas ruazinhas, pelas igrejas, praças. Só foi uma pena que a casa da Julieta estava fechada (eu sei que aquela não era de verdade a casa da Julieta porque ela de fato nunca existiu, mas é um ponto turístico legal de visitar, e falam que encostar no peito esquerdo da estátua dela dá sorte no amor, rsrs). A Torre dei Lamberti também estava fechada, por causa do feriado. Até pensei de ficar em Verona naquela noite, mesmo que sozinho, para aproveitar mais dessas coisas no outro dia, porém não encontrei nenhum albergue e os quartos de hotel eram bem caros.
Eu também fui a um outro castelo do outro lado do rio. O castelo não era medieval, era do século XIX, mas foi construído num monte e a vista para a cidade era linda, palavras não descrevem o que eu vi (e vocês devem ter pensado: “que bom que não descrevem, pois este post já está gigante”, rsrsrs)
Viajar sozinho é ruim e bom ao mesmo tempo. É ruim porque você não tem ninguém pra conversar, pra tirar uma foto e pra comer junto, mas é bom que você pode ir onde quiser e você faz tudo de acordo seu ritmo, que no meu caso é conhecer o mundo em um dia como a Thaís já disse. Se eu tivesse ido pra Verona com alguém que também tivesse passado a noite acordado, provavelmente não teria passeado tanto e conhecido tantos lugares num dia só, o primeiro banco de praça ia ser pit stop pra voltar pra estação. Foi um pena não dar pra ficar mais um dia.
Passear por Verona foi verdadeiramente incrível, me surpreendi com a cidade e fiquei apaixonado com tudo. Cada passeio é diferente, mas acho que posso dizer que foi o melhor até agora. É, só me falta uma Julieta agora, mas que não tenham o fim da original, rsrsrs.
Fui embora ao fim da tarde, mas antes de ir tomei um gelato de frente a Arena (o meu “Guia do Turista Brasileiro” disse que eu não podia ir sem tomar um gelato na cidade). Cheguei a Ancona por volta de 21h30. Mesmo tendo tido um dia tão legal, bateu uma tristeza de não ter ninguém em casa pra contar tudo (Paula ainda estava em Bolonha, voltava no domingo à noite; Thaís e os egípcios em Roma, de volta na terça; e Arthur em Istambul, de volta só no meio da semana), mas graças a Deus, minha mãe me ligou e conversei com ela um pouco. Depois de conversar com ela, fui dormir. Depois de uma noite acordado e dois dias batendo perna, o colchão era o paraíso pra mim.
Desculpem pelo tamanho do post, mas nem contei um terço de tudo que fiz. No domingo, dia 2, ainda fui para Urbino, uma cidade medieval quase intacta no topo das montanhas, há uma hora daqui. Simplesmente incrível, também tem fotos. Vocês devem estar pensando que esse intercâmbio é mais viagem que trabalho, né? Hehe, mas nos fins de semana tem que aproveitar pra conhecer o máximo, principalmente se todo mundo está fora, e durante a semana mostrar serviço.
Bacio
Semana passada nós ficamos sem internet, o dono da casa que estamos falou que ia estender o wi-fi dele pra nós, peró nada disso aconteceu. Ficamos sem internet e pessoal da AIESEC ficou procurando um jeito de prover isso para nós, mas não deu.
No ano novo, cada um aqui foi pra um canto. Estava programado de todos irmos para a Toscana – Florença, Siena e Pisa, mas na terça-feira passada vimos que a reserva foi feita pro dia errado, os egípcios queriam ir pra Roma e o Arthur resolveu encontrar a namorada dele que está em Istambul, pela AIESEC também. Florença foi por água a baixo. Depois até achei bom, porque vamos no próximo final de semana, não via ficar caro, a cidade não vai estar uma bagunça e tudo vai estar aberto já que não vai ser feriado.
Como tudo mudou, pensei: “o quê que eu vou fazer?” Ancona no Reveillon deve ser um pouco chatinho, principalmente que eu ia ficar só. Mas graças a Deus surgiu a oportunidade de ir pra Bolonha. A Paula tem duas amigas que estão morando lá, uma estuda Medicina e a outra Ciência Política na Universidade de Bolonha. Elas chamaram a Paula, aí eu pensei: “também vou, né?”. O Ahmed, Karim e Alaa só reservaram hotel em Roma na noite do dia 30, como eu já tinha ido pra lá no Natal e ia voltar no fim do intercâmbio, não tinha queria ir de novo, queria conhecer algo novo. O problema é que a Paula tinha lugar pra ficar em Bolonha, eu não. Nós íamos passar a virada na igreja que as amigas da Paula freqüentam e depois eu tinha que me virar. Hotel em Bolonha estava um pouco caro, só encontrava lugares de 80 euros pra cima, porém meu lado aventureiro falou mais alto. O Ricardo que é Diretor de Comunicação do escritório daqui também queria ir pra lá e ia fazer o mesmo, passar o ano novo e pegar o primeiro trem cedo, então, lá fui eu.
Fomos Bolonha na manhã do dia 31 e por um minuto não perdemos o trem. Eram 6h da manhã e não passava nenhum ônibus, tivemos que quase correr um quilômetro e meio pra chegar a tempo.
Chegando a Bolonha, as amigas da Paula, Larissa e Daniela, nos levaram até o apartamento delas. Deixamos as coisas e fomos passear. Bolonha é uma cidade muito legal, ela foi fundada na Antiguidade e se fortaleceu na Idade Média. O centro histórico atual era cercado por muralhas e ainda permanecem alguns portões da época. As famílias ricas da região esbanjavam seu poder construindo torres, quem construísse a mais alta era tida como mais poderosa. Durante a Idade Média, por volta do século XII, existiam quase 200 torres, muitas com cerca de 100 metros de altura. Para engenharia da época isso era um desafio tremendo, era como construir hoje aquele prédio mais alto do mundo em Dubai. Atualmente, só existem duas torres, uma delas teve sua construção interrompida porque começou a tombar (a torre de Pisa não é a única), a outra tem 97 metros e foi construída no século XII. Eu subi nela e haja perna pra subir os 497 degraus, mas haja fôlego para apreciar a vista incrível da cidade.
Durante a 2ª guerra Bolonha foi bombardeada, mas muita coisa ainda permanece no centro histórico, como igrejas, palácios e até casas. É engraçado ver que algumas dessas casas tiveram andares construídos em diferentes anos, não de hoje que se aluga a laje pra fazer quartinho. Andando pelas ruazinhas da cidade parece que você está em pleno século XII. Outra coisa legal de Bolonha é que a cidade tem a universidade mais antiga da Europa, foi fundada em 1088 e até hoje é muito renomada, até entrei numa das salas de anatomia mais antigas da Europa. Bolonha é simplesmente muito bacana e para aqueles que não são tão ligados a história, é possível aproveitar outras coisas, como shows, bares, clubs, bibliotecas. Por ser uma cidade universitária não falta programação pra jovens, e adultos também.
O Ricardo só chegou a Bolonha no fim da tarde, encontrei com ele no centro e comemos pizza de “ceia”. Cada lugar que eu vou, como uma pizza melhor que a outra. O Ricardo ficou no centro, para os shows que iam acontecer na Piazza Maggiore (depois de Roma, Bolonha tem o melhor ano novo da Itália), e eu voltei pra casa das amigas da Paula e fui para igreja, assistir o culto de Ano Novo. Fiquei feliz de entender o que o pastor falava em italiano, e quando deu meia noite pude comer o melhor da culinária caseira italiana, rsrs.
Saí da igreja e reencontrei o Ricardo no centro. Agora era a hora de ficar acordado e esperar o trem de manhã, uhu! Só sei que nós tínhamos que dar um jeito de ir pra algum lugar quente (pelo menos mais quente que 0°) e afastado da bagunça. Nunca vi tanta gente bêbada e tanta garrafa quebrada na rua, pra piorar tinham algumas antas nórdicas que ficavam estourando fogos de artifício pequenos no meio da rua e das pessoas. Fugindo da muvuca, fomos para um café, e depois de conversar um pouco, fomos para a estação de trem andando, não era longe. Eram 2h30 da manhã e o trem do Ricardo para Ancona era só às 4h40 da manhã e supostamente era o meu também. Supostamente porque a caminho de Bolonha, no trem, resolvi ir pra outra cidade chamada Ferrara no dia 1°, mesmo sem dormir e ainda sozinho. Chagando na estação fomos procurar um lugar quente pra ficar. Entramos na sala de espera dormir, mas para nossa alegria boa parte dos turistas resolveu fazer o mesmo e resolveu também não tomar banho naquele dia, a sala cheirava a flores (aquelas mais fedidas do mundo que ficam numa ilha na Indonésia). Tentamos ir pra outro lugar, mas o hall da estação estava lotado, não tinha uma parede pra encostar e do lado de fora o sorvete ficava melhor do que no freezer. O jeito era ir pra sala perfumada e esperar. Era incrível que eu não estava com sono. O Ricardo tentou dormir sentado e enquanto eu lia meu “Guia do Turista Brasileiro na Itália”. Passando as páginas eu vi coisas sobre Verona. Quando eu tinha assistido “Cartas pra Julieta” fiquei doido pra conhecer a cidade-cenária que Shakespeare escolheu pra escrever sua peça mais famosa. Era a oportunidade que eu tinha de conhecer aquela cidade, era relativamente perto, e pra quê eu ia voltar pra Ancona e ficar sozinho? Resolvi ir pra Verona, uma das cidades mais românticas da Itália, virado da noite e sozinho (entenda dos dois jeitos, em relação à companhia e ao estado civil).
Depois mais de uma hora, o Ricardo pegou o trem e eu fui esperar até 7h10 no outro hall da estação, que tinha lugar pra encostar e nem estava cheio. Fiquei com medo de dormir, mas na coragem deixei a mochila atrás de mim e encostei-me à parede (o Word me sugeriu tal colocação verbal, gostei), pelo menos tinha mais gente junto na soneca. Só dormi uma até umas 5h40, depois hora fiquei refletindo sobre o ano que tinha acabado de passar e agradecendo a Deus por todas as coisas.
O trem para Verona nem era caro, paguei 7,20 euros e fui. Uma hora e vinte minutos depois eu estava em Verona. Saí do trem e fazia mais frio que em Bolonha, eram 9 horas da manhã, mas não tinha nem um posto de informação aberto na estação. Fui pra fora esperar o ônibus, mas depois de 10 minutos descubro que no dia 1° não tinha ônibus na cidade (falam que brasileiro não gosta de trabalhar, mas no Natal não tinha nem metro e nem ônibus em Roma e no dia 1° de janeiro não tinha nenhum ônibus numa das cidades mais procuradas na Itália). Por um minuto pensei, “o quê eu vim fazer aqui?”. Sorte que o centro histórico ficava a 1,5Km da estação, a parte nova de Verona é bem agradável.
Cheguei ao centro histórico, era muito legal. Ele é cercado por muralhas medievais que ainda estão de pé e é cortado pelo rio Adige. Em Verona existe uma arena, do tipo Coliseu, construída pelos romanos, e até hoje comporta eventos, mesmo tendo sido danificada por um terremoto há 850 anos. Além da Arena, existe um castelo medieval, às margens do Rio Adige, incrível. Andar pelas margens do rio é também um passeio muito legal, mesmo estando frio, o dia estava lindo, não tinha uma nuvem no céu. Passei o dia tirando fotos, andando pelas ruazinhas, pelas igrejas, praças. Só foi uma pena que a casa da Julieta estava fechada (eu sei que aquela não era de verdade a casa da Julieta porque ela de fato nunca existiu, mas é um ponto turístico legal de visitar, e falam que encostar no peito esquerdo da estátua dela dá sorte no amor, rsrs). A Torre dei Lamberti também estava fechada, por causa do feriado. Até pensei de ficar em Verona naquela noite, mesmo que sozinho, para aproveitar mais dessas coisas no outro dia, porém não encontrei nenhum albergue e os quartos de hotel eram bem caros.
Eu também fui a um outro castelo do outro lado do rio. O castelo não era medieval, era do século XIX, mas foi construído num monte e a vista para a cidade era linda, palavras não descrevem o que eu vi (e vocês devem ter pensado: “que bom que não descrevem, pois este post já está gigante”, rsrsrs)
Viajar sozinho é ruim e bom ao mesmo tempo. É ruim porque você não tem ninguém pra conversar, pra tirar uma foto e pra comer junto, mas é bom que você pode ir onde quiser e você faz tudo de acordo seu ritmo, que no meu caso é conhecer o mundo em um dia como a Thaís já disse. Se eu tivesse ido pra Verona com alguém que também tivesse passado a noite acordado, provavelmente não teria passeado tanto e conhecido tantos lugares num dia só, o primeiro banco de praça ia ser pit stop pra voltar pra estação. Foi um pena não dar pra ficar mais um dia.
Passear por Verona foi verdadeiramente incrível, me surpreendi com a cidade e fiquei apaixonado com tudo. Cada passeio é diferente, mas acho que posso dizer que foi o melhor até agora. É, só me falta uma Julieta agora, mas que não tenham o fim da original, rsrsrs.
Fui embora ao fim da tarde, mas antes de ir tomei um gelato de frente a Arena (o meu “Guia do Turista Brasileiro” disse que eu não podia ir sem tomar um gelato na cidade). Cheguei a Ancona por volta de 21h30. Mesmo tendo tido um dia tão legal, bateu uma tristeza de não ter ninguém em casa pra contar tudo (Paula ainda estava em Bolonha, voltava no domingo à noite; Thaís e os egípcios em Roma, de volta na terça; e Arthur em Istambul, de volta só no meio da semana), mas graças a Deus, minha mãe me ligou e conversei com ela um pouco. Depois de conversar com ela, fui dormir. Depois de uma noite acordado e dois dias batendo perna, o colchão era o paraíso pra mim.
Desculpem pelo tamanho do post, mas nem contei um terço de tudo que fiz. No domingo, dia 2, ainda fui para Urbino, uma cidade medieval quase intacta no topo das montanhas, há uma hora daqui. Simplesmente incrível, também tem fotos. Vocês devem estar pensando que esse intercâmbio é mais viagem que trabalho, né? Hehe, mas nos fins de semana tem que aproveitar pra conhecer o máximo, principalmente se todo mundo está fora, e durante a semana mostrar serviço.
Bacio
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